Eu e o Budismo

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As pessoas costumam dizer que o budismo é uma religião, mas pra mim não é bem isso. Na minha concepção de religião e na minha concepção de budismo – simplesmente não combinam.

Pra mim, o budismo é na verdade uma linda filosofia antiga de vida. Afinal, o budismo não prega um deus, o budismo prega o amor. E é isso que mais me encantou nele.

Como ateísta, sempre tive dificuldade em me identificar com qualquer religião ou filosofia, pois não consigo acreditar num ser superior.

(eu vou resumir muito muito muito mesmo, só pra vocês entenderem um pouco da história!)

O Buda, era o príncipe Sidarta Gautama, que cresceu protegido no luxo do castelo, pois seus pais tinha medo da profecia de que o menino iria se tornar no futuro um grande rei e que renunciaria ao mundo material para que se tornasse um homem santo, e por isso não o deixavam sair do palácio.

Obviamente um dia, com 29 anos, o príncipe deixou o palácio e, ao ver toda a pobreza e o sofrimento das pessoas, iniciou sua vida espiritual e se desligou da vida material. Após muito conhecimento, muita meditação e jejum, já com 35 anos, Sidarta se sentou embaixo do que hoje conhecemos como árvore de Bodhi, na Índia, e prometeu não sair dali até que alcançasse a iluminação espiritual. Foi lá que o príncipe atingiu o Nirvana, se tornando o Buda, o Iluminado, e passou a ensinar o darma aos seus seguidores.

É preciso entender que Buda não é um deus. Nunca foi. Muita gente por falta de conhecimento acha que o Buda é um deus para os budistas, mas não é, é apenas um guia, um homem que alcançou o nirvana.

Isso é algo que me identifiquei muito no budismo pois Buda nunca pregou a existência ou não de um deus. Hoje em dia, com as muitas ramificações do budismo que se espalham pelo mundo, existem muitas variações. Alguns ramos são ateístas, outros são panteístas e outros, ainda, teístas. Mas o budismo clássico, nunca falou sobre a existência de um deus, sendo considerado ateísta.

O Budismo não fala de Deus. Para o budista o mundo é um conjunto de forças, ou elementos, que se transformam e interagem num ciclo eterno de equilíbrio. O ser humano é só uma parte desse ciclo e a ideia de identidade individual é para eles uma ilusão. A única forma de se libertar desse ciclo é atingir o estado de nirvana, que é quando se desliga de todas as ligações com o mundo material e se apaga a identidade. Quando uma pessoa atinge o estado de nirvana é chamado de “Buda”, que significa “esclarecido”. Há muitos ramos diferentes do Budismo e alguns incorporam os deuses de outras religiões, como a religião Hindu. Mas o ensinamento central do Budismo ignora a questão de Deus. O importante para eles é o trabalho de cada pessoa durante sua vida.

Então, o que o budismo ensina? Basicamente, o que Buda aprendeu quando atingiu o nirvana, e que ficou conhecido como os 4 princípios ou verdades fundamentais:

  1. ver­da­de do sofri­men­to;
  2. ver­da­de da ori­gem do sofri­men­to;
  3. ver­da­de da ces­sa­ção do sofri­men­to;
  4. ver­da­de do cami­nho que leva à ces­sa­ção do sofri­men­to.

O Comentário sobre o Tratado da Visão do Meio diz: “As Quatro Nobres Verdades são o ponto de passagem entre a ilu­são e a ilu­mi­na­ção. Quan­do elas não são com­preen­di­das, persis­te o apego aos Seis Reinos. Se com­preen­di­das, alcan­ça-se a san­ti­da­de”.

O budismo constantemente prega o amor, a solidariedade, a bondade, a responsabilidade sobre suas ações (e as consequências), e sobre como devemos deixar de lado os sentimentos negativos. Abaixo os ensinamentos que podem mudar qualquer vida:

1.Se afastar e lutar contra todos os sentimentos negativos.

Ignorar o ódio, a raiva, o rancor, e transformar tudo em amor. Desejar o bem a quem nos faz mal é de uma dificuldade enorme, mas facilita muito se mudarmos nosso jeito de ver essa pessoa e entendermos que o que ela faz é reflexo do que há dentro dela, e que ela só vai parar quando tiver paz consigo mesma.

2.Espalhar o amor.

Seja fazendo voluntariado, ou simplesmente ouvindo alguém que precisa desabafar. Seja não dando corda para pessoas que te desejam o mal, ou compartilhando o seu conhecimento. É preciso espalhar amor por aí.

3. Lutar contra maus pensamentos.

Seja em relação aos outros ou a mim mesma, maus pensamentos nos contaminam e impedem de seguir em frente e sermos felizes.

4. Entender que é preciso cuidar de si mesmo.

E com esse entendimento passei a cuidar do meu corpo e da minha alma, através de exercícios, alimentação saudável e meditação. O yoga passou a fazer parte da minha vida, assim como muitas coisas deixaram de fazer.

5. Se proteger de pessoas invejosas, rancorosas, estressadas…

Pois pessoas com sentimentos ruins inflamam e contaminam todos a sua volta. Pessoas em fases ruins precisam de ajuda, claro, mas devemos ajudar sem deixar que essas pessoas nos prejudiquem ou inflamem com seus pensamentos.

6. Aceitar o sofrimento e entender que é parte da vida.

Afinal, é o ensinamento de Buda, e quando se aceita e busca entender e aprender com o sofrimento, a alegria vem muito mais rápida e sólida.

7. Se colocar no centro da sua vida

Passei a aceitar o fato de que eu é que estou no controle, e nunca mais culpei os outros pelos meus erros ou problemas. Hoje entendo que apenas eu tenho o poder de mudar minha vida, meus pensamentos, meu corpo, meus relacionamentos, e só o fato de se colocar no controle e aceitar isso, já muda tudo.

Isso é só um pouco do que aprendi com o budismo, e o que já consegui colocar em prática. Não sou perfeita e nunca serei. Sou humana, afinal. Mas acredito que estamos todos em uma constante evolução, e busco sempre melhorar.

Alguns dias é mais difícil, outros mais fácil, mas com o tempo tem se tornado tudo muito natural. Fazer o bem atrai o bem, e te incentiva a continuar. É como começar na academia e ver os resultados no seu corpo, no seu bem estar e no seu ânimo – é o maior incentivo para continuar treinando.

Nesse momento estou lendo muito e aprendendo cada vez mais sobre o amor mais puro pregado pelos budistas. Com certeza um dia postarei a respeito por aqui para compartilhar as coisas lindas que estou aprendendo e -tentando- aplicar no dia a dia.

“Nossos verdadeiros inimigos são os maus pensamentos. Podemos fugir de inimigos externos. Mas o ódio e a raiva permanecem conosco, mesmo quando fechamos as portas atrás de nós. Quando temos pensamentos negativos, prejudicamos sobretudo a nós mesmos porque mesmo as coisas mais belas já não nos deixam felizes.” Dalai Lama

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