Resenha: 1984

Pseudônimo de Eric Arthur Blair, nasceu em 1903, na Índia, onde seu pai trabalhava para o império britânico, e estudou em colégios tradicionais da Inglaterra. Jornalista, crítico e romancista, é um dos mais influentes escritores do século XX, famoso pela publicação dos romances A revolução dos bichos (1945) e 1984 (1949). Morreu de tuberculose em 1950.

O livro de maior sucesso, 1984, ganhou fama por tratar de forma ficcional de um tema no mínimo complexo, o totalitarismo. No enredo que tem Londres como cenário, em um país fictício chamado Oceânia, tudo sempre remete ao “Grande Irmão” – Big Brother. “Quarenta e cinco anos, de bigodão preto e feições rudemente agradáveis”, o Big Brother é o líder máximo do governo. Assumiu o poder depois de uma guerra de escala global (análoga à Segunda Guerra, porém com mais explosões atômicas), que eliminou as nações e criou três grandes estados transcontinentais totalitários. A Oceânia reúne a ex-Inglaterra, as ex-Américas, ex-Austrália e Nova Zelândia e parte da África. É um mundo sombrio e opressivo. Cartazes espalhados pelas ruas mostram a figura bisonha da autoridade suprema e o slogan: “O Grande Irmão está de olho em você”. E está mesmo, literalmente, graças às “teletelas”. Espalhadas nos lugares públicos e nos recantos mais íntimos dos lares, elas são uma espécie de televisor capaz de monitorar, gravar e espionar a população, como um espelho duplo. A intimidade era tão devassada ali quanto na casa do Projac que sediou a última edição do Big Brother Brasil.

Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que ‘só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade – só o poder pelo poder, poder puro.’

Não há como explicar TODOS os detalhes maravilhosos desse livro, mas o que me surpreende e o coloca sempre entre meus favoritos, é a retratação perfeita dos abusos de poder, do totalitarismo, a descrição das torturas de governos, mas também pelas reflexões acerca de um poder calcado na manipulação da linguagem, da história e do medo. Essas questões talvez sejam mais relevantes hoje do que à época em que foi escrito, o que é também fenomenal! O livro, com seus mais de cinquenta anos, é mais atual do que nunca! A ciência e a tecnologia desenvolviam-se a uma velocidade estonteante, e parecia natural acreditar que continuariam se desenvolvendo. Isso não aconteceu em parte devido ao empobrecimento provocado por uma série longa de guerras e revoluções, em parte porque o avanço científico e tecnológico dependia do hábito empírico do pensamento, que não pôde sobreviver numa sociedade regimentada da maneira restrita. O mundo hoje, como um todo, é mais primitivo do que há cinquenta anos. Alguns pontos muito interessantes:

Teletelas “Viveremos uma era em que a liberdade de pensamento será de início um pecado mortal e mais tarde uma abstração sem sentido”, disse Orwell. As teletelas do livro são ferramentas de controle. Estão em todo canto. Transmitem mensagens e monitoram ao mesmo tempo. Te vê e te escuta 24 horas por dia, mesmo no conforto de sua casa.

Novafala No mundo de 1984, a língua ganha novos termos, e palavras antigas, novas acepções. A semântica é distorcida para criar um estado de torpor e confusão. Isso está expresso no lema do Partido único: “Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força”.

Grande Irmão Ditador e líder do Partido. É dever da população amá-lo, embora nunca tenha sido visto em pessoa. Foi inspirado em Josef Stalin e representa o perigo do totalitarismo, junto com a teletela. Nas ruas, cartazes mostram seu rosto e dizem “O Grande Irmão está de olho em você”.

É um livro difícil de ler. Fiz minha mãe ler e ela ficou MUITO abalada com a história, principalmente com o final, e como ela mesmo disse é muito triste pois você acaba vendo muito da realidade mundial e do governo atual nesse livro, acaba vendo que muito daquilo é quase uma profecia de Orwell, e o livro pode sim abalar.

Eu particularmente acho que TODO MUNDO deveria ler esse livro. Eu lembro que li na época do Ensino Médio e reli recentemente para matar a saudade, pois achei incrível. Deveria sim ser obrigatório, inclusive, é o livro número um de uma lista de dez livros que “every student should read before leaving secondary school” (todo aluno deveria ler antes de sair do ensino secundário), NÚMERO UM! (leia a lista aqui, em inglês)

PS. Nessa lista o terceiro livro é o outro grande sucesso de George Orwell, A Revolução dos Bichos!

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