Resenha: A Ilha Misteriosa

Quando busquei os livros de Júlio Verne, foi em busca de grandes aventuras, emoção, pois era a imagem que tinha de suas histórias. Confesso que o mais próximo que havia chegado delas foi nas adaptações ao cinema, e acabei me decepcionando tremendamente.

Não sei dizer até que ponto a escolha do livro foi mal sucedida, ou se o estilo do autor é que não me agrada, mas ler este livro foi uma verdadeira tortura.

Comecemos pela sinopse:

Um balão cai perto de ilha desconhecida no Oceano Pacífico. Os cincos sobreviventes enfrentam os obstáculos naturais impostos pela ilha misteriosa, desde animais selvagens e temperaturas extremas a um navio repleto de piratas. Nessa história empolgante, com um final surpreendente, Verne combina aventura e pesquisa científica em uma narrativa clara e dinâmica, entremeada pelo humor, ironia e criatividade.

Primeiramente venho dizer que empolgante, aventura, dinâmica e humor são palavras que deveriam ser banidas da sinopse do livro, pois nenhuma delas o descreve. Cheguei a ler em algum lugar que este “não é o melhor livro de Julio Verne”, e honestamente espero que não mesmo pois se todos forem neste nível terei jogado muito dinheiro fora comprando vários livros dele que ainda pretendo ler. No fundo mantenho esperança de que os outros sejam melhores, afinal alguma coisa precisa justificar o sucesso do autor.

A história em si é interessante, os personagens estão em um balão e caem em uma ilha desconhecida. Através de seus conhecimentos passam a usar o que obtém da própria ilha para tornar sua vida mais confortável, ponto fabuloso que mostra a habilidade do homem de sempre adequar o espaço a si e não o contrário. Acontece que ao longo do livro você começa a ter a sensação de que nada nunca vai acontecer.

Trata de uma lenta e entediante evolução da vida na ilha, com um ciclo de descoberta de material, utilização do mesmo, resultados e algum mistério para o qual os personagens nunca dão a verdadeira importância. O desenrolar não é NADA dinâmico. É cansativo, parado, e por capítulos e mais capítulos parece que tudo gira em torno do mesmo vai e vem e das mesmas conversas e nada se conclui.

No lado oposto, o final é tão rápido que me deixou em dúvida se o livro havia acabado mesmo ou se no meu exemplar antigo resgatado de um sebo e caindo aos pedaços estava faltando folhas. Sabe quando você assiste uma novela em que durante o ano inteiro os personagens enrolam o romance, os irmãos brigam, e nada se resolve, e de repente no último capítulo tudo se resolve, em segundos, e acaba repentinamente? Foi exatamente isso que senti quando li o livro.

Todo o drama das quase trezentas folhas, toda aquela enrolação, para em meras três páginas tudo estar resolvido. 

Tudo bem, o final é bom. É sim surpreendente, principalmente levando em conta que o livro é tão lento que te faz desistir completamente de que realmente haja alguma mudança, mas quando você finalmente descobre o mistério da ilha, é um ótimo final. O problema é que após a grande descoberta,há uma avalanche de acontecimentos que terminam o livro repentinamente, numa velocidade muito maior do que aquela que o levou durante o livro inteiro, o que me deixou perplexa.

Um personagem que me intrigou foi o Engenheiro Cyrus Smith, que amei e odiei. Me afeiçoei ao personagem não tanto por ele próprio mas pelo modo como os outros personagens o idolatram! Isso me cativou, e me fez admirá-lo também. Mas é muito exagerado! Tudo que precisavam ele sabia. Sabia produzir desde dinamite até barcos, trazia um conhecimento profundo e detalhista sobre absolutamente qualquer coisa, de forma que deixou o personagem muito apelativo e irrealista pra mim.

Também descobri que um personagem no mínimo essencial para a história, que não vou falar quem é para não estragar a surpresa, vem de outro livro de Verne, venerado pelos seus fãs, Vinte Mil Léguas Submarinas, e me senti decepcionada por não ter lido antes deste, mas pelo menos quando ler já conhecerei o personagem e sua história.

No geral é uma história de aventura que infelizmente não possui o ritmo e a dinâmica necessárias para prender o leitor. Há sempre aqueles que irão descordar, mas por gosto e experiência pessoal, não o recomendo aos que, como eu, não tem paciência para enrolações e cenas paradas, pois estas são 90% do livro. Mas, quem decidir ler, recomendo que lei primeiro Vinte Mil Léguas Submarinas, para curtir mais o final!

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