Resenha: Cidades de Papel

Esse eu ganhei de amigo secreto de uma pessoa no mínimo excêntrica, que deixou uma dedicatória minimalíssima e bem, bem estranha. Adiei muito o começo da leitura pois recebi os piores comentários possíveis a respeito, além de ter pessoas próximas que também detestaram o filme, e não queria começar uma leitura já esperando o pior e até mesmo para evitar uma influência desses pensamentos.

Acontece que no final entendi porque algumas pessoas não gostaram da história, mas acontece que o motivo pra todas elas não gostarem foi exatamente a ÚNICA coisa que gostei no livro inteiro.

Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.

A narrativa de John Green é muito simples, em certos pontos chegando a ser infantil, mas é claro que é focado ao público infanto-juvenil. O público alvo vai amar o romance, se espelhar na individualidade e no estilo de Margo, e se encantar pela fofura e delicadeza de Quentin. O típico nerd isolado que no fim se mostra fofo e cheio de sentimentos e ganha o coração das leitoras. 

O enredo em si é frívolo, as indagações e questionamentos dos personagens são típicas de adolescentes e o livro chega a ser monótono nos primeiros “quatro quintos” das folhas. Só começa a ter um pouco de graça quando finalmente saem em busca da Margo, pois o passeio de carro de Q. com os amigos se torna descontraído e divertido, talvez o que o personagem precisava para começar a viver e abandonar seu amor platônico.

RESUMINDO:

Q. é um garoto irritante, que não vive e não faz nada além de inflar sua obsessão por Margo o livro inteiro. É uma ótima lição de como o amor platônico é ridículo, afinal, quando ele finalmente começa a conhecer Margo, vê que não é nada do que ele pensava.

Eu, particularmente, detestei quase tudo. O único detalhe que gostei foi o final, e não posso exatamente falar dele para não estragar a experiência de vocês, mas quem me conhece sabe que gosto de finais “tapa na cara”, realistas e que a maioria das pessoas acham decepcionantes. (SIM, detesto quando tudo acontece exatamente como em contos de fadas com felizes para sempre, detesto quando o personagem é torturado o livro inteiro e no fim fica bem, porque isso não acontece na vida real e gosto de, mesmo em meio a mundos fantasiosos e mágicos, encontrar personagens humanos, realistas.)

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