Resenha: O Mundo de Sofia

O Mundo de Sofia não é um livro, é uma sala de aula. Garanto que muita gente dirá que aprendeu mais em sua leitura do que nas aulas de filosofia da escola, pois convenhamos, não são todos que dão sorte com os professores dessa matéria. Eu tive muita sorte com meus professores de Filosofia, e aprendi muito, mas mesmo assim, por indicação do meu próprio professor, acabei lendo e garanto que o livro complementou o conhecimento que eu já tinha e esclareceu muitas dúvidas.

Acontece que, querendo ou não, filosofia pode se tornar um assunto cansativo e entediante com facilidade se não for trazido com a didática correta e é aqui que o livro ganha, a didática do autor te atrai e prende sua atenção da maneira necessária para adquirir o conhecimento e ter vontade de mais.

Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões-postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo. Os postais são enviados do Líbano, por um major desconhecido, para uma certa Hilde Moller Knag, garota a quem Sofia também não conhece. O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste romance fascinante, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países e já vendeu mais de 1 milhão de exemplares só no Brasil. De capítulo em capítulo, de “lição” em “lição”, o leitor é convidado a percorrer toda a história da filosofia ocidental, ao mesmo tempo que se vê envolvido por um thriller que toma um rumo surpreendente. Para comemorar esse grande sucesso, a Companhia das Letras lança agora nova tradução de ‘O mundo de Sofia’ — feita diretamente do norueguês — e novo projeto gráfico para toda a coleção de Jostein Gaarder.

O livro é maravilhoso! Sofia recebe nos bilhetes e postais, primeiro perguntas e depois respostas, e logo fica claro que “quando a gente acha que sabe todas as respostas, o mundo muda todas as perguntas”. Junto de Sofia passamos a rever todas as questões filosóficas de nossa existência, nosso ser e nosso papel no mundo. Com brilhanteza o autor nos guia através da pequena e curiosa Sofia a nos tornarmos crianças outra vez para buscar respostas dentro de nós mesmos.

Ao longo do livro conhecemos todos os filósofos desde Aristóteles até Darwin, passando por todos os pensamentos e questionamentos, e alternados com a compreensão da própria Sofia que nos ajuda a formarmos nossa própria opinião a cerca de cada ponto tratado. É interessante pois o mistério criado pelos cartões postais se encaixa muito bem com as aulas de filosofia, com detalhes surpreendentes que marcam o talento do autor.

O fato de o mar estar calmo na superfície não significa que algo não esteja acontecendo nas profundezas.

O final foi bem diferente do que eu imaginava. Esperava algo mais racional e senti até desanimo para continuar lendo, mas não é algo que tire a grandeza da obra em sim. Entretanto, apesar de ter achado o final muito fora do normal, de uma maneira negativa, acredito que o livro em si continua sendo um presente à alma, pois além de clássico trás um autoconhecimento necessário a todos. Os personagens são de fato cativantes e quem lê acaba pegando um pouco de Sofia pra si, tornando-se curioso e refletindo sobre questões essenciais para a formação do “eu”.

Indico a todos, desde adolescentes até adultos, principalmente aqueles que buscam conhecer melhor a filosofia, mas já aviso, é uma leitura que leva tempo! Lenta, gradual, porém com todos os ingredientes para te prender e impressionar. Além de ser extremamente enriquecedora!

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