Resenha: O Velho E O Mar

“A obra clássica é um livro que todo mundo admira, mas que ninguém lê” 

Hemingway está entre meus autores favoritos, e este livro está na minha dos 10 de melhores livros que já li. Em poucas páginas e numa linguagem simples somos apresentados a conceitos de maneira leve e despretensiosa sobre a vida que nos fazem refletir.

Ernest Hemingway viveu. Não viver, no sentido de apenas existir, mas de aproveitar cada segundo. Caçou, pescou, foi à guerra, sobreviveu a duas quedas de avião, amou muitas mulheres, rodou o mundo, foi amigo de outros grandes homens como Scott Fitzgerald, autor de o Grande Gatsby. E segundo a lenda inventou o mojito.

Em meio a tantas aventuras Hemingway ainda teve tempo de escrever O Velho e o Mar e tantos outros clássicos, e eu o admiro absurdos.

O Velho e o Mar, de uma leitura extremamente rápida (São apenas 94 páginas, que variam para mais dependendo da edição) parece um livro despretensioso de inicio, mas a cada página vemos que as palavras que estão ali são apenas a ponta do iceberg.

“Depois de anos na profissão, havia 84 dias que o velho pescador Santiago não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salão, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas ele possui coragem, acredita em si mesmo, e parte sozinho para alto-mar, munido da certeza de que, desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho. Esta é a história de um homem que convive com a solidão, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e a inabalável confiança na vida. Com um enredo tenso que prende o leitor na ponta da linha, Hemingway escreveu uma das mais belas obras da literatura contemporânea Uma história dotada de profunda mensagem de fé no homem e em sua capacidade de superar as limitações a que a vida o submete.”

O velho e o Mar é o tipo de livro que pode ser lido apenas como um conto fantástico de pescador, mas isso é apenas a ponta do iceberg.

Somos apresentados ao velho Santiago, um pescador azarado que sai mais uma vez para o mar tentando mudar sua sorte. Nas primeiras paginas senti dó do velho, sua solidão e fraqueza, coisas que tentamos não imaginar quando pensamos em nosso próprio futuro.

Santiago vai para o mar mais uma vez esperando que dessa vez seja diferente e parte sozinho em seu pequeno barco, ai a épica aventura começa. O velho respeita e ama o mar, e na leitura também passei a ver o mar de forma diferente.

“[…] Entretanto, o velho pescador pensava sempre no mar no feminino e como se fosse uma coisa que concedesse ou negasse grandes favores; mas se o mar praticasse selvagerias ou crueldades era só porque não podia evitá-lo.”

Página após página, Santiago luta contra forças que estão além da sua capacidade e o vemos superar adversidades inimagináveis. Hemingway nos leva a questionar qual é o limite do homem, quão longe podemos ir.

Vemos que o sofrimento não pode ser evitado, mas que a importância que damos a ele, pode nos levar a derrota ou a vitória, e ali aprendemos que é através da dor e do sofrimento que vem o prazer da vitória. E que a derrota não nos destrói, mas nos torna mais fortes.

“O homem pode ser derrotado, mas não destruído”

Essa talvez seja uma das frases que eu mais me apeguei no livro, pois essa é a verdadeira natureza do ser humano que mesmo sendo desafiado pelos elementos da natureza e lutando contra a própria fortuna (adoro usar esse termo ao invés de apenas sorte) se supera.

Não é atoa que Hemingway levou pra casa o Pulitzer de 1953 e o Nobel de Literatura de 1954.

Sou suspeita para falar, mas é um dos clássicos que deve constar na lista de leitura de todo mundo. A leitura é rápida e dinâmica e quando se vê, sobra apenas a nostalgia de ter terminado uma aventura incrível.

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