Resenha: O Vermelho e o Negro

Publicado na França pós-napoleônica, O vermelho e o Negro é um clássico da literatura mundial. A obra narra a trajetória de Julien Sorel, um ambicioso filho de carpinteiro que faz de tudo para ascender socialmente. Inferior de berço, precisa revestir sua revolta com polidez seus interesses com paixão, sua hipocrisia com inocência e assim lutar contra a opressão e os preconceitos da exclusivista sociedade francesa do início do século XIX.

O Vermelho e o Negro é um clássico da literatura francesa, aclamado há muitos anos e considerado uma obra fantástica pelos grandes críticos. Até mesmo Hemingway exalta a obra, incluindo-a em sua lista especial de “livros que todo escritor deveria ler”

O próprio nome do livro já é sinônimo de questionamentos, e gerou todo o tipo de teorias sobre o nome, sendo a que considero mais plausível a de que o Vermelho representaria o sangue e o uniforme do exército, e o Negro seria a cor da batina do jovem padre. Levo mais em conta essa percepção em face da constante dúvida do personagem em relação a qual dos dois caminhos valeria mais a pena.

Foi este o romance que fundou o realismo, o que está claro na trajetória de Julien Sorel, que narra os quadros sociais da vida provinciana, trazendo um retrato bem cruel da França pós-Bonaparte, entretanto, ainda trás alguns traços do romantismo.

O personagem principal é uma personalidade única, porém que me irritou profundamente. A primeira parte do livro fluiu com rapidez, mas a segunda parte foi uma tortura que só passou a se desenrolar nos 45 do segundo tempo!

O fato é que senti muita falta de um certo carisma dos personagens principais. Não me apeguei a nenhum, não torci por nenhum, li por pura curiosidade de saber o desfecho sem, no entanto, criar expectativa alguma.

O personagem a princípio passa uma imagem de inocente e pobre coitado, mas logo se vê que na verdade é alguém extremamente ambicioso, que quer alcançar a glória de seu ídolo, ser reconhecido, entretanto, sem saber como. Usa e abusa de sua sorte, mas sem ter a malícia necessária para se dar bem no meio burguês, acaba por sabotar a si mesmo constantemente.

O desgaste emocional do personagem é crítico, e o final surpreendente. Vale a pena a análise do crescimento e da ruína do personagem, mas não é um livro que dá para ler e reler com tanta facilidade.

Com certeza o lerei em muitos anos, quando tiver outra perspectiva de vida, para interpretá-lo de uma outra maneira. Mas, no momento, sinto dizer que ao mesmo tempo que me encantei com a grandiosidade e qualidade do livro, me entediei profundamente e sofri para lê-lo.

Recomendo a leitura aos amantes dos grandes clássicos, pacientes e com amor por vocabulários complexos e grandes temas filosóficos. Aos amantes de leituras mais simples, vale deixar para um outro momento em que se aprofundem e tenham tempo para o tipo de leitura.

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