Resenha: Pequena Abelha

Chris Cleave tem em mim uma grande fã, isso é fato. Desde que li seu livro Ouro, sobre o qual já falei aqui, virei uma verdadeira fanática por seus livros. Imediatamente busquei Pequena Abelha, e há muito que esperava por ler este livro, pois já sabia o que me esperava, afinal, sei muito bem o efeito que o sr. Cleave pode causar nas pessoas com seus livros emocionantes.

Esse livro trata de mais do que uma simples história. É como eu sempre falo pras pessoas sobre os livros de Chris Cleave: o que importa não é a história em si, mas como você se sente ao lê-la.

O mais complicado de falar sobre esse livro, ainda mais numa resenha, é que não podemos realmente falar sobre ele. Na própria capa do livro já tem o pedido de “não conte”. E realmente não dá pra contar, pois estragaria tudo.

Essa é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa… Depois de ler esse livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como essa narrativa se desenrola.

De fato, é difícil. Acho que nem se quisesse contar pra vocês o que acontece no livro, não conseguiria, pois até mesmo o modo como a história é contada, é parte fundamental nas descobertas. Talvez você esteja ficando curioso ou talvez perdendo interesse, mas garanto que esse livro vai mexer com você, esse livro vai te fazer enxergar um novo mundo, e depois que enxergar vai ser difícil esquecê-lo.

O título Pequena Abelha vem do nome de uma das personagens principais, desse livro repleto de histórias tristes. Se fosse descrevê-lo com uma única palavra, acho que seria… perturbador. Diversas vezes deixei de ler ou adiei sua leitura pois a cada descoberta me preocupava um pouco mais e tinha um pouco mais de medo do que poderia acontecer em seguida.

Abelinha é uma garota incrível, e cada uma de suas frases vem com um peso enorme, um conhecimento e inteligência muito acima do que se espera de uma garota de dezesseis anos. Mas claro, como poderia ela passar por tantas coisas e não aprender tanto?

Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: ‘Eu sobrevivi.’

Pequena Abelha nasceu na Nigéria, numa vila simples e feliz. Sarah nasceu na Inglaterra. São duas mulheres de mundos totalmente diferentes, mas que tem suas vidas marcadas de forma abrupta e inesperada. Algo que jamais poderia ser previsto, algo que mudou as duas pra sempre.

O poder feminino deste livro me lembra o livro A Distância entre Nós, que também tem resenha aqui no blog, e fico muito feliz de ver personagens femininas tão fortes e valentes. Pequena Abelha pode ser apenas uma menina, mas cada frase sua trás um baque a quem estiver lendo, pois fala de verdades não ditas, com uma inocência e simplicidade que pesam ainda mais no tom de suas palavras.

Chá tem o mesmo gosto da minha terra: é amargo e quente, forte e carregado de lembranças. Tem gosto de saudade. Tem o gosto da distância entre onde você está e de onde você veio. E também desaparece – o gosto desaparece na língua enquanto os lábios ainda estão quentes da xícara. […] Ouvi dizer que em seu país se toma mais chá do que em qualquer outro. Imagino como isso deve deixar vocês tristes – iguais a crianças que anseiam pelas mães ausentes. Sinto muito.

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