Resenha: Vinho & Guerra

Esse livro foi uma indicação que tive durante um curso de degustação de vinhos, e foi o primeiro livro que li em 2016! Além de extremamente agradável, divertido e bem escrito, posso descrevê-lo como uma aula verdadeira de história sobre a Segunda Guerra Mundial de um ponto de vista no mínimo fantástico. Ao trazer a experiência dessa forma, os autores não só trazem um riquíssimo conhecimento sobre vinhos e sua produção, mas também um ponto de vista único e muito, muito engraçado.

Numa narrativa de tirar o fôlego, este livro acompanha a saga de tradicionais famílias de vinicultores franceses que impediram os nazistas de roubar um de seus símbolos mais genuínos: o vinho. Usando de incríveis artimanhas — como a construção de paredes com teias de aranha para esconder safras preciosas, sabotagem de trens que transportavam vinho para a Alemanha —, os produtores de vinho formaram uma espécie de Resistência paralela a fim de proteger a economia da França e preservar um de seus prazeres mais inebriantes e diletos. Baseado em três anos de pesquisas e de entrevistas com testemunhas que sobreviveram a esses fatos, Vinho & Guerra lança luz sobre um capítulo comovente e pouco conhecido da história, prestando tributo a pessoas extraordinárias que, num sentido muito real, salvaram o espírito da França.

O livro abrange, principalmente, a verdadeira guerra que se passou na França entre nazistas e vinicultores que tentavam proteger seu bem mais precioso. Obviamente que sabendo da fama e qualidade dos vinhos franceses os nazistas se aproveitaram, invadiram as maiores vinícolas, tomaram a casa de grandes colecionadores, e exigiram que parte da produção fosse destinada exclusivamente a eles e pelo preço que eles mesmo determinassem.

O “X” da questão é o modo de lidar dos franceses. Me surpreendi (e confesso que dei muitas gargalhadas) com as artimanhas usadas para esconder seus melhores vinhos, como se espalhou o espírito dissimulado entre todos na busca de fazer alguma coisa para sabotar os nazistas, e como o vinho realmente inspirou-os a lutar contra a dominação alemã.

Os diversos relatos de pessoas reais que sobreviveram a esse terrível pedaço da história mundial trazem sensibilidade e uma noção mais interna do que se passou. Achei uma pesquisa muito bem feita, um livro fácil e gostoso de ler, com muitos momentos descontraídos e que passa um conhecimento realmente grande não só histórico mas também em relação a essa bebida maravilhosa pela qual sou apaixonada.

Indico pra todo amante de vinho, para todo amante de história, aos curiosos e aos que desejam saber um pouco mais sobre esses tópicos. (se você não gosta de vinho talvez devesse ler só pra tentar criar um pouco de afeto! hahahaha)

No final da guerra, ao atingir o chamado Ninho da Águia, retiro de Hitler em Berchtesgaden, um soldado francês, Bernard de Nonancourt, foi chamado pelo oficial comandante para escalar, com outros homens, o pico de quase 2.500 metros. Sua missão era avaliar os vinhos que o líder alemão supostamente guardava. “Havia todos os grandes vinhos de que eu ouvira falar, cada safra legendária”, disse o soldado, segundo os autores. “O que realmente me ficou na lembrança”, contou o militar, “foi o Salon de 1928, aquele champanhe inesquecível. Era excelente e só havia quantidades mínimas dele.” De repente, Nonancourt começou a rir. Parte do champanhe “era pouco mais que zurrapa”. Havia enormes números de garrafas com a indicação “Reservado para a Wehrmacht”. Outras tinham sua qualidade indicada apenas por categoria —A, B ou C. Representavam um terço de todas as vendas de champanhe de 1937 a 1940, uma quantidade que a Wehrmacht requisitara para “manter o moral de suas tropas”. Essas garrafas, Bernard sabia, eram as que os produtores usavam para se livrar do pior champanhe.

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